domingo, 8 de novembro de 2009

Elio Gaspari compara as soluções anticrise de Lula e Fernando Henrique

Interessante essa comparação feita hoje por Elio Gaspari, na Folha e no Globo:
Duas crises financeiras, dois resultados
Um malvado devorador de números fez um exercício e comparou as iniciativas tomadas pelo tucanato durante a crise financeira internacional de 1997/1999 com as medidas postas em prática pelo atual governo desde o ano passado. Fechando o foco nas mudanças tributárias, resulta que os tucanos avançaram no bolso da patuléia, enquanto Nosso Guia botou dinheiro na mão da choldra.
Entre maio de 1997 e dezembro de 1998, o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo.
A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%. O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações. O IPI das bebidas ficou 10% mais caro e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%. Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997.
A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB. O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03% e a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%. Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.
A crise financeira mundial de 2008/2009 foi mais severa que as dos anos 90. Em vez de aumentar impostos, o governo desonerou setores industriais, baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento. Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da choldra.
A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%. Em 2009, o salário mínimo teve um ganho real de 6,4%.
O desemprego deu um rugido mas voltou aos níveis anteriores à crise.
Ao que tudo indica, a crise de 2008 sairá pelo mesmo preço que a de 1997/98: um ano de crescimento perdido.
As duas situações foram diferentes, mas o fantasma do populismo cambial praticado pela ekipekonômica de 1994 a 1998 acompanhará o tucanato até o fim de seus dias. O dólar-fantasia teve uma utilidade, ajudou a reeleger Fernando Henrique Cardoso. Ele derrotou Lula em outubro e o real foi desvalorizado em janeiro.

Cinema sem cor e sem movimento

Morreu Anselmo Duarte. Triste para o cinema. De alegre, apenas a lembrança de sua famosíssima entrevista para o Pasquim, quando declarou, se não me engano, que "dava 12 por dia".

sábado, 7 de novembro de 2009

Caetano, o gênio ignorante

Caetano sempre foi surpreendente, muitas vezes contra tudo e contra todos. Quando ainda era apenas “irmão da Maria Betânia”, xingou aos berros toda a platéia do cinema Paissandu, no Rio, que vaiava um documentário (chatésimo) sobre a irmã. Foi surpreendente também no auditório do TUCA, em São Paulo, quando enfrentou (com discurso brilhante) a platéia que vaiava o seu “É Proibido Proibir”. Brilhante em toda a sua música, instigante, às vezes hermético, mas sempre trazendo algo novo e muitas vezes com ousadia (como a ousadia do seu sousândrico “Gilberto Misterioso”). Meticuloso, como em “Gema”, associando “brilhante” com “lua-sol” (em chinês, o ideograma “brilhante” é composto pelos ideogramas “lua” e “sol”), ou em “O Quereres” (“Onde queres o livre, decassílabo”). Na sua entrevista do dia 5 no Estadão, Caetano faz charme simpático dizendo "eu sou daquelas moças... não estudei direito", mas demonstra (como sempre) muita leitura, acompanhamento do que acontece no mundo. Disse coisas até interessantes, apesar de algumas vezes simplórias. Aliás, quando começa a discursar no campo político, ideológico ou filosófico, surpreendentemente não surpreende. Parece mais um Maria vai com as outras, tamanha a sua ignorância. O que ele declarou sobre Lula, por exemplo, foi analfabeto, cafona e grosseiro. A análise que fez dos principais nomes políticos demonstra um despreparo completo, tipo da pessoa que se deixa levar pela mídia dominante e depois solta suas diatribes. Ele tem todo o direito de dizer o que bem entende, criticar quem quiser criticar. Mas lamento que faça declarações tão bobas e fora de propósito. Um país que produziu o gênio Caetano Veloso não merece conviver com suas caetanices políticas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PSDB acredita que vai crescer no Nordeste. Você acredita em carochinha?


O Nordeste continua sendo uma peixeira atravessada na garganta dos tucanos. Já fizeram tudo quanto é “marketing” para conquistar o voto nordestino, e até agora nada. Fernando Henrique já comeu buchada de bode, subiu em jegue, colocou chapéu de couro e ainda não pegou o espírito da coisa. Desolado com o fraco desempenho de seus candidatos, o PSDB decidiu “treinar cabos eleitorais no Nordeste”. Vão gastar 450 mil reais em um curso para formar “multiplicadores de votos” na região. No curso, por exemplo, vão ensinar a biografia de Serra e Aécio – e se ensinarem a de Fernando Henrique, aí, sim, é que vai ser um estrondo! Diz a reportagem da Folha que, “sob a coordenação de um cientista político e um consultor de marketing, os futuros cabos eleitorais serão submetidos até a treinamento de técnica de abordagem e persuasão” e receberão “um passo a passo para aproximação com eleitor, a exemplo do praticado entre empresa e clientes”. Agora pergunto: alguém acredita no poder de persuasão do bico tucano recheado de paulistês? Difícil, é ou não é? Para que esse curso consiga sucesso de verdade, dou minha sugestão de abordagem: “Bom dia, Nobre Eleitor. Vai querer Lula aí?”

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cesar Maia não tira a Benedita da cabeça

Ontem, quando li o Ex-Blog de Cesar Maia cobrando a presença de Benedita na questão do combate ao “crack”, liguei pra ela. Primeiro quis saber se ela estava se recuperando bem da cirurgia no joelho e passei logo para a pergunta: “O que você achou da notinha do Cesar Maia?” Ela não tinha lido, claro. Li a nota e perguntei o que achava. Ela mudou de assunto, mas tenho certeza que falaria algo como “ou ele está desinformado ou está apenas fazendo política”. A Secretaria conduzida por Benedita esteve bastante presente nos últimos dias esclarecendo e apresentando o que tem sido feito sobre a assistência a dependentes de crack. Portanto, quero ir mais longe: certamente Cesar Maia também dispõe de novas pesquisas que apontam Benedita muito bem avaliada para o Senado. Por isso ele procura fixar uma imagem negativa nela para uso futuro, na batalha eleitoral. Benedita faz bem em não responder. Como sempre digo, quem está na frente não olha pra trás.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

NY: Bloomberg ganhou, mas saiu perdendo

Ontem, aqui neste Blog, quando as pesquisas davam 15 pontos de vantagem para Michael Bloomberg (Independentes, Republicanos) na disputa para Prefeito de Nova York, eu dizia que William Thompsom (Democratas, Famílias Trabalhadoras) tinha chances. Bloomberg venceu, realmente – mas por apenas 4 pontos de vantagem, 50% a 46%. Ele venceu por sua experiência para enfrentar a crise (a cidade tem 5 bilhões de dólares de déficit, e a questão econômica foi decisiva), pela maioria (56%) do eleitorado feminino (Thompson venceu entre os homens, 49% a 48%), pela maioria (46%) do eleitorado branco (67% a 29%), pelo apoio da maioria (36%) católica e de judeus (18%), contra o apoio do eleitorado (24%) de protestantes, que deu vitória a Thompson de 59% a 39%. O Democrata foi o candidato dos homens, dos negros e hispânicos, dos eleitores na faixa de 30-44 anos, dos que ganham abaixo de 50.000 dólares por ano, dos que têm baixa escolaridade, dos desempregados (a cidade está com taxa de 16% de desemprego), dos que moram no Bronx e no Brooklyn (42% do eleitorado) contra os que moram em Manhattan, Queens e Staten Island (os outros 58%). Mas Bloomberg perdeu votos (100 mil a menos do que na última eleição) por causa da arrogância do excesso de dinheiro em campanha e por causa da revolta dos menos favorecidos economicamente. Os Democratas estão comemorando. Veja aqui o perfil do eleitorado.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tristes tropiques...

Morreu Lévi-Strauss...

Terceiro Mandato: a Mídia de Bananas tem tudo para exigir golpe em Nova York


Em Honduras é proibido. Na Venezuela é deplorável. No Brasil, nem pensar. Mas nos Estados Unidos, onde não é permitido a qualquer pessoa exercer 3 vezes o cargo de Presidente, um Prefeito pode tentar  um terceiro mandato, alterando as leis junto com a Câmara dos Vereadores. Foi o que fez o Prefeito Michael Bloomberg de Nova York. Como ele é arqui-milionário, não usa chapéu texano e é bam-bam-bam dos meios de comunicação, ninguém ousa levantar a voz contra. O fato é que, depois da manobra, Bloomberg está gastando cerca de 100 milhões de dólares (sua fortuna é de cerca de 17 bilhões...) para tentar exercer o terceiro mandato. Lidera as pesquisas, disputando com o Democrata William Thompson (que está bem atrás, mas tem chances) e mais 7 candidatos. Aguardo ansiosamente nossa Mídia exigir intervenção de Michelleti na Big Apple...

domingo, 1 de novembro de 2009

Fernando Henrique parte para baixaria e preconceito

Pretendia comentar o artigo de hoje de Fernando Henrique no Globo ("Para onde vamos?"). Tinha visto o texto e separado. Depois vi o que ilustrava o artigo e fiquei surpreso. A imagem da mão com um dedo a menos, representando Lula, me pareceu apelativa, preconceituosa, pura baixaria. Alguém, por favor, diga que estou enganado, que é bobagem minha, que eu é que estou sendo preconceituoso. Desespero, a gente entende; baixaria, não. 

sábado, 31 de outubro de 2009

Macacos me mordam - o Brasil está fazendo tudo certo

Bem interessante esse artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. hoje no Globo:
Brasil: bolhas e macacos
Estou nos Estados Unidos, leitor, há mais de dois anos. Uma coisa me impressionou desde o início: a popularidade do Brasil no exterior, em marcado contraste com a nossa frágil e problemática autoimagem.
Essa popularidade continua crescendo. Vai-se formando, quase diria, um entusiasmo internacional pelo Brasil.
A onda pró-Brasil parece configurar uma espécie de bolha. No campo econômico-financeiro já temos sintomas de um movimento de manada. Isso levou o governo a taxar a entrada de capitais — medida que seria considerada herética e impensável há alguns anos.
Quando o Brasil adotou o IOF sobre certos tipos de investimento estrangeiro, um analista de mercado baseado em Nova York observou: “Eles estão lutando contra o mercado inteiro . Todo mundo quer estar no Brasil agora.” Deus nos livre dos entusiasmos do mercado financeiro! Já vimos, repetidas vezes, os estragos que esse tipo de entusiasmo pode produzir.
À euforia, segue-se o colapso.
Quanto maior a primeira, mais catastrófico o segundo. Ou, no popular: quanto mais alto o galho, maior a queda do macaco.
Por outro lado, macaco velho não põe a mão em cumbuca. A decisão de taxar a entrada de fluxos financeiros visa justamente a deter, ainda que em parte, a entrada de capitais de curto prazo, encarecendo a especulação com ativos denominados em reais. O objetivo do governo é dificultar a formação de bolhas especulativas no mercado cambial e na Bolsa de Valores.
Não sei se a medida será bem sucedida.
Ela requer provavelmente medidas complementares e, em especial, uma aplicação rigorosa.
Dizem que a moderna “engenharia financeira” permite contornar qualquer controle ou regulação.
Não há dúvida de que a engenhosidade da turma da bufunfa é grande. São craques em inventar formas de evasão regulatória e fiscal.
Para fazer valer as suas medidas, o governo precisa, por um lado, aplicá-las de forma inteligente e seletiva. Por outro, deve estar preparado para impor punições aos que infringirem as leis e a regulação.
Com algumas punições exemplares, bem aplicadas, os bufunfeiros, engenhosos ou não, se alinharão rapidamente.
Mas era outro o ponto que queria fazer. A onda pró-Brasil é tão grande que até uma medida controvertida como o controle de capitais foi bastante bem recebida no exterior.
Parece que o Brasil não consegue fazer nada de errado! O governo colheu vários elogios ao novo IOF, inclusive do mais importante jornal econômico da Europa, o “Financial Times”, e do codificador do famigerado “ Consenso de Washington”, o economista John Williamson.
Elogios do pai do “Consenso”! Quase pergunto: Onde foi que erramos? Realmente, começo a estranhar um pouco esse sucesso todo. Afinal, não estamos com essa bola toda. O sucesso econômico brasileiro é relativamente recente.
Os nossos indicadores sociais e educacionais são ainda muito ruins. E o próprio sucesso econômico pode conter as raízes de uma crise futura.
Por exemplo: a excessiva valorização do real pode minar de maneira grave a posição externa da economia e o seu potencial de crescimento e diversificação.
Não fosse o eterno risco de recaída no complexo de vira-lata, até recomendaria que vestíssemos as sandálias da humildade.
O mais importante, entretanto, é proteger-se contra a especulação, manter as contas públicas e externas em ordem, aplicando com rigor controles e regulamentos prudenciais.
E lembrar que, como escreveu Kipling, triunfo e desastre são impostores e devem ser tratados da mesma forma.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. é economista e diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional.

Honduras: os Estados Unidos pressionaram Michelleti, mas foi o Brasil que pressionou os Estados Unidos

Vamos colocar claro uma coisa: sem a presença decisiva do Brasil em defesa da restauração da democracia em Honduras, os golpistas nunca mais sairiam do poder. Os Estados Unidos - que certamente apoiaram o golpe por baixo dos panos - fariam vista grossa e aproveitariam para ampliar seus domínios na região. Mas não tiveram como se contrapor à oposião séria e carregada de prestígio do Brasil. Chávez também foi muito importante dando sustentação operacional ao retorno de Zelaya. E o próprio Zelaya, com sua atitude firme, decidido a lutar pelos direitos democráticos, tornou-se uma rocha no caminho dos golpistas. Há ainda que parabenizar Obama, que conseguiu perceber a tempo que os "conselheiros" de Hillary estavam forçando a barra na contramão da História. Obama tratou de ordenar que Michelleti parasse de gracinha. Quem ficou completamente sem argumentos foi a Mídia de Bananas. Perdeu a chance de louvar o papel de destaque do governo brasileiro no cenário internacional criando condições para o retorno de Honduras à democracia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bittar 88: recordar é viver

Militei uns tempos na política do Rio de Janeiro e em 88 fazia parte de um grupo que se aproximou do PT. Havia eleições e Jorge Bittar era o candidato petista para Prefeito do Rio. Como publicitário, propus para a campanha majoritária o tema "Tá na hora de Bittar", que o candidato aceitou imediatamente - mas alguns setores da direção partidária foram contra porque "não falava de socialismo". Depois apresentei um jingle (que fiz em parceria com Fernando Mendes). O produtor Liminha quando ouviu o "monstro" pela primeira vez declarou: "Hayle, isso é tão bom que produzo de graça". E fez isso mesmo, produziu no seu estúdio, "Nas Nuvens". Antes de virar sucesso de campanha, o jingle teve que concorrer com 10 sambas - e o nosso jingle era o único rap... Eram tempos primitivos, comparados com os de hoje. Recursos zero. Todo mundo trabalhando praticamente de graça. Não fiquei o tempo todo na campanha, ainda participei do primeiro dia da gravação do Horário Eleitoral. Recuperei o clip (esqueci o nome da produtora - CVT?), com o jingle censurado em um trecho que falava do "Centrão" dos tempos de Sarney. Recordar é re(vi)ver. Vejam o clip, com apresentação de Paulo Béti.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Minas x São Paulo

Serra perdeu Minas. De novo. Se houvesse acordo com Aécio, Minas poderia compensar um pouco as perdas que a Oposição terá nas regiões NE, N e CO. Cesar Maia deve ter falado disso exaustivamente, mas o medo enlouquecido de dupla derrota (BR e SP) deve ter emperrado completamente o raciocínio de Serra. Agora ficou claro para todos o racha oposicionista entre Aécio e Serra, Minas e São Paulo. Eleitor mineiro de Aécio dificilmente vai votar em Serra - principalmente se tem a opção da mineira Dilma. Aliás, Minas já tinha derrotado os tucanos Serra (2002, 1º turno: Lula 53%, Serra 23%) e Alckmin (2006, 1º turno: Lula 51%, Alckmin 41%). Se continuar assim, Serra perde até entre eleitores palmeirenses...

Lindberg x Dilma

Lindberg, Prefeito de Nova Iguaçu e que acena com candidatura petista a Governador em 2010, não deve ter gostado nada da foto de Dilma Roussef abraçada aos peemedebistas Sérgio Cabral e Pezão (Governador e Vice-Governador RJ, pré-candidatos à re-eleição) e à petista Benedita da Silva, pré-candidata ao Senado (ver dois posts abaixo). Por outro lado, o Planalto não deve ter gostado nada da decisão da Executiva do PT do Rio, que aprovou proposta do grupo de Lindberg transferindo inserções de Dilma e dos deputados petistas para o Prefeito de Nova Iguaçu. Já foi feito recurso ao Diretório Estadual, onde a proposta deve ser derrubada. Se Lindberg continuar nesse ritmo, Dilma vai acabar fazendo declaração explícita contra ele.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sim, Cesar Maia aderiu ao voto plebiscitário

A Oposição, cada dia que passa, mais confusa está. Divide-se que nem células descontroladas, não sabe se vai ou se fica, se fica ou se vai. Os tucanos estão cada vez mais divididos entre Serra e Aécio. Os Demos, que já estão divididos entre Bornhausen e Maias, também se dividem entre Aécio e Serra. Mas, se bobear, criam nova divisão e lançam candidatura própria – afinal, o objetivo é aumentar a sua base parlamentar e, para isso, além das alianças regionais, precisam de massificação do número 25 (claro, é uma hipótese remota). Essas confusões internas têm uma única origem: as pesquisas. A Oposição percebeu que a chapa Lula-Dilma está em alta, Serra está em baixa e Aécio ainda é uma promessa difícil de vingar. Não bastasse o bate-boca público, a Oposição ofereceu mais um indício de que está entregando os pontos. No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia admitiu que a eleição será plebiscitária, entre o Sim a Lula e o Não a Lula. O problema é que a Oposição até agora não sabe como dizer Não... Vejam o Ex-Blog:
QUADRO ELEITORAL PARA PRESIDENTE COMEÇA A SER DEFINIDO!
1. PlanalTo conta com a impossibilidade da candidatura de Ciro, na medida em que este não conseguiu atrair outros partidos, não terá candidatos a governador em mais que uns 4 estados, não terá tempo de TV suficiente e nem como captar 100 milhões de reais, que segundo os entendidos do PlanalTo, é o mínimo para se fazer uma campanha presidencial.
2. Dessa forma, se teria uma campanha plebiscitária, como Lula deseja, com um ruído - Marina da Silva - que seria o escoadouro dos votos dos decepcionados com o transformismo do PT no governo, dos mensalões, da "flexibilidade" com a base aliada, do retorno dos antigos "senhores"... Nesse raciocínio, não haveria risco do voto higiênico passar para a oposição: iria para Marina.
3. Sendo assim, na eleição, Marina seria ignorada - falaria sozinha - e a meta seria ter mais votos que a oposição na proporção da votação da Marina, resolvendo em primeiro turno.
4. Do lado da oposição - (FSP, 28) "Se o partido em dezembro ainda não tiver decidido seu candidato a presidente, seja por prévias ou não, eu sou candidato ao Senado já a partir de janeiro. Não posso esperar. Preciso então cuidar de Minas", disse Aécio. (...) Serra não comenta ultimato de Aécio: "Esse tititi não leva a nada"-, o quadro caminha para a candidatura de Aécio ao Senado.  Paradoxalmente, Aécio saindo, em dezembro, da disputa, compulsoriamente, Serra é candidato a presidente. Curiosamente - independente da vontade dele - seu "lançamento"  estará antecipado. E desaparece a hipótese de reeleição a governador.

Eleições 2010, RJ: "Essa é a chapa!"


Há pouco mais de duas horas, Benedita me ligou, falou dos eventos de hoje, com a participação do Presidente Lula, do Governador Sérgio Cabral e da Ministra Dilma Roussef. Disse ela que em certo momento Sérgio Cabral puxou ela de um lado, Dilma do outro, chamou também o Vice Pezão e mandou fazer a foto. No final disse: "Essa é a chapa!" Benedita prometeu me enviar uma cópia assim que tiver em mãos. (E a foto está aí, que peguei agora às 19:25h, no Blog Extra!Extra!, da Berenice Seara)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

The Wall Street Journal diz como o FMI deve funcionar: "É nós contra eles"

The Wall Street Journal abriu o jogo e abriu o bico: os países emergentes que se danem. O editorial do jornalão dos poderosos (Debtors to the Front) não entende por que os países emergentes devem ter mais poder de decisão dentro do FMI. Ele não entende por que "devedores" devem decidir como os "credores". E ainda faz questão de distinguir os "credores de longo prazo" dos "credores de curto prazo", onde se incluiria o Brasil, um dos líderes dessa verdadeira revolução (dentro dos conceitos do WSJ). O editorial acha que os "credores" deveriam ter deixado claro que aquilo não é uma democracia e que para ter mais direito a voto é preciso botar mais dinheiro no fundo, o que não foi feito. O board do FMI aprovou transferir mais 5% de poder de voto para os emergentes - para desespero do WSJ, que propõe que os constribuintes americanos parem de contribuir com o fundo. O que o jornalão esconde é que foram esses "credores" todo-poderosos que inventaram o Consenso de Washington (que acabou tendo o consenso do "nosso" FHC e sua trupe...), que levaram o mundo a uma crise sem precedentes e que só estão se safando agora graças a esses países emergentes que eles amaldiçoam. Com todo o respeito aos editorilistas do WSJ, esse não é o momento para "eles" (no casos os chamados "países credores") radicalizarem. Se não dialogarem com "nós", "eles" não têm muito futuro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Resultado eleitoral uruguaio comprova que Dilma pode vencer no primeiro turno


O candidato do Frente Amplio (pouco à esquerda, pouco ao centro), José Mujica, venceu o primeiro turno das eleições presidenciais uruguaias com 47,49% dos votos.  O Presidente Tabaré Vazquez, que apoiou sua candidatura, quase conseguiu que ele vencesse logo no primeiro turno, graças à excelente transferência de votos. Seu governo tem 65% de aprovação, e os votos de Mujica correspondem a 73% desse índice. Se isso se repetir no Brasil, com Lula tendo 80% de aprovação, Dilma terá cerca de 58,5% dos votos, já no primeiro turno! Entendem por que a oposição está atônita? ATENÇÃO: No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia se atrapalhou com os números (nada grave). Os resultados corretos são os do gráfico acima. (Clique para ampliar)

domingo, 25 de outubro de 2009

Victoria amplia em Uruguay


A frente de esquerda (Frente Amplio) uruguaia teve grande vitória nas eleições de hoje, com cerca de 48% dos votos. As primeiras projeções apontam para um segundo turno daqui a um mês, entre Frente Amplio e Partido Nacional (29%), mas até o momento nada certo - ainda pode dar vitória no primeiro turno. Em terceiro, o Colorado (17%), em quarto, o Independiente (2,5%) e em quinto o Asamblea Popular (0,5%). Gráfico do OBSERVA.COM.UY. Clique para ampliar.

Concreto: Décio Pignatari

Minha poesia é concreta. E fiquei muito feliz em voltar a assistir Décio Pignatari . 82 anos, pensamento de vanguarda. Mas se apresenta como jurássico.

Metade do eleitorado ainda não sabe que Lula tem candidato para sua sucessão

Na sexta-feira, tive um papo telefônico com Cláudio Gama, diretor do Instituto Mapear, sobre sua última pesquisa de intenções de votos no Rio de Janeiro. Enquanto ele pedalava sua bike na Lagoa Rodrigo de Freitas, comentava detalhes da pesquisa que aponta "Dilma, a candidata de Lula" com 25% e José Serra com 18% (ver postagem Dilma lidera no Rio: conforme queríamos demonstrar... ). Ele ficou particularmente impressionado com o desconhecimento que o eleitor ainda tem sobre "quem Lula é o(a) candidato(a) de Lula". São 47% que ainda não sabem que Dilma é o nome escolhido por Lula para a sua sucesão na Presidência. Imagina como vai ser daqui a 1 ano, quando todos associarem Dilma a Lula! A questão (cada vez maior) é saber quem será o candidato da Oposição...

sábado, 24 de outubro de 2009

Tucano sobrevive no deserto?

Li hoje no Painel da Folha: "Enquanto o PSDB empurra a definição do candidato ao Planalto, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) vão iniciar uma temporada de viagens. 'Não dá mais para falar só para os militantes dos nossos partidos. Eles precisam interagir com a sociedade, falar com os que estão fora', defende o presidente da sigla, senador Sérgio Guerra (PE)". Sábia decisão. Correm o risco de ter audiência ainda menor... Mas vida de tucano é assim mesmo. Tem que bicar! Tem que bicar!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dilma lidera no Rio: conforme queríamos demonstrar...


Faz quase cinco décadas que digo aqui do alto deste Blog que as pesquisas que mostram Dilma lá atrás, na grande maioria das vezes, não têm grande valor. Isso porque a próxima eleição presidencial está tendo um caráter plebiscitário: sim ou não ao Governo Lula. Portanto, é fundamental que os questionários das pesquisas esclareçam quem é o(a) candidato(a) de Lula. Foi o que fez agora o Instituto Mapear no Rio de Janeiro. E vejam o resultado: “Dilma, a candidata de Lula” tem 25% e “Serra” tem 18% das intenções de voto. CQD...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Chega de barbárie!

A ação dos policiais que ignoraram o corpo caído de Evandro João, do Afroreggae, para ir atrás dos assassinos em busca de um ganho qualquer não faz parte do mundo civilizado. Está muito aquém do que se deseja para o ser humano. Policiais e bandidos seres de outros mundos  - que infelizmente fazem parte do nosso dia-a-dia.

Eleições 2010, RJ: com a saída de Gabeira, Sérgio Cabral deve se eleger no primeiro turno

O Informe do Dia de hoje publica ("Cabral na pista" e "Lindberg patina") resultados de uma pesquisa do Instituto UP (Ulrich Pesquisas), feita entre os dias 10 e 14, com dois cenários. No primeiro, ainda se vê o nome de Gabeira, mas ele não será candidato: Sérgio Cabral 37%, Garotinho 22%, Gabeira 15% e Lindberg 4%. Nesse cenário, Sérgio Cabral teria 47% dos votos válidos. No segundo cenário, sem Gabeira, temos: Sérgio Cabral 39%, Garotinho 22%, Cesar Maia 7% e Lindberg 5%. Nesse caso, Sérgio Cabral subiria para 53% dos votos válidos. Como Lindberg não deve ser candidato e Garotinho e Cesar Maia não devem herdar seus votos, Sérgio Cabral deverá crescer ainda mais. A pesquisa foi feita antes das manchetes da queda do helicóptero policial no Morro dos Macacos e não se sabe se isso terá impacto negativo. Creio que, caso seja negativo, será por pouco tempo. A política de segurança do atual governo provavelmente será uma de suas bandeiras para a re-eleição.